sábado, 21 de novembro de 2009

Vale a pena ser PT


Amanhã, domingo, é dia de sacudir o PT de Porto Alegre.

Sacudir para renovar, para transformar, para valer a pena ser PT. Construir um partido que debate, que procura sua militância, que é ativo, criativo e popular.

Venha conosco fortalecer o PT na cidade! Venha com a chapa Movimento e Esperança Vermelha!

Boa luta e até a vitória!

Locais de votação:

1ª e 2ª Zonais
Onde: Sede Municipal do PT - Av. João Pessoa, nº 785.

111 Zonal
Onde: Associação Comunitária Passo D'Areia - Rua Serro Azul, 145 (esquina Rua São Salvador) - Bairro Passo D'Areia;

112 e 158 Zonais
Onde: Colégio Mesquita, Av. do Forte, 77;

114 Zonal
Onde: Grêmio Gaúcho (Gauchinho) - Av. Carlos Barbosa, 1525.

113 e 159 Zonais
Onde: Igreja São Judas Tadeu - R. Juarez Távora, 171

160 Zonal
Onde: Antiga sede da Zonal - Av. Cavalhada, 2386

161 Zonal
Onde: Escola Borghesi, Av. Juca Batista, 4028.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dois temas para debate: fome no mundo e sustentabilidade ambiental



No último debate entre os candidatos ontem, nossa candidatura tratou de dois temas que tiveram repercussão ao longo das intervenções de plenário: a fome no mundo e o tema da sustentabilidade ambiental.

Ambos temas, na nossa opinião, guardam relação com o modelo econômico vigente em escala global que está em crise desde o ano passado: o capitalismo. O aquecimento global é fruto das emissões de carbono geradas pela economia deste modelo e mais de 100 milhões de pessoas passaram à subnutrição diária por conta crise do capitalismo no último ano. Como resultado disso, diariamente mais de 1 bilhão de pessoas passam fome e, entre as principais vítimas as crianças.

Acompanhe abaixo duas notícias vinculadas aos temas:


''A RESPONSABILIDADE SOCIAL PESA ESSENCIALMENTE SOBRE OS PAÍSES INDUSTRIALIZADOS'', DIZ SACHS

Ignacy Sachs está em alta no debate público. O intelectual de 81 anos, consultor de vários governos - dentre eles o brasileiro - é professor da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais em Paris, onde criou e dirige o Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo.

Com a proximidade da 15ª Conferência da ONU para o clima, a COP-15, a se realizar em dezembro, na cidade dinamarquesa de Copenhague, sua voz passa a ser cada vez mais procurada na tentativa de entender o atual momento vivido e, principalmente, vislumbrar alternativas de um futuro menos apocalíptico.

Durante a semana passada, ele esteve no II Seminário Conexões Sustentáveis: São Paulo - Amazônia, onde falou brevemente sobre o contexto em que o debate sobre a mudança de paradigmas em busca de uma economia de baixo carbono está inserido.

A reportagem e a entrevista é de Amazonia.org.br, 16-11-2009.

"Estamos entrando na terceira grande transição da humanidade. Depois do domínio das técnicas agrícolas e da era das energias fósseis, entramos agora num momento de encontrar uma saída ordenada para todos esses problemas que estão a nossa frente. Mas isso não acontecerá da noite para o dia, e sim, na perspectiva do que nos acompanhará até o fim desse século", disse ele.

O professor enxerga na crise a oportunidade para a humanidade "mudar de rumo". Ele destacou a necessidade do aumento das redes de serviços sociais, para que o Estado atue sobre o bem-estar da população sem influência do mercado. Segundo Sachs, para se atingir esse ponto, devemos adotar o voluntarismo responsável, que ele explica não se tratar de transportar utopias para o futuro, mas sim, contribuir com um projeto de longo prazo que tenha chances de ser realizado, enfrentando simultaneamente os desafios postos nas áreas social e ambiental.

"Temos que nos proteger de um paradigma de relações assimétricas. Precisamos tornar visíveis os padrões de relacionamento e nos proteger contra a exploração abusiva", conclui.

De saída, Sachs concedeu rápida entrevista ao Amazônia.org, que foi interrompida abruptamente pela urgência do professor em seguir para outro compromisso.

Eis a entrevista.

Copenhague será um fracasso, assim como Kyoto?

Pelos índices apresentados até agora, é difícil ser otimista. Mas é sempre possível imaginar uma inversão da situação através de uma ação de última hora de um grupo de grandes líderes. Sei que o presidente Lula está bastante empenhado na idéia. Oxalá seja bem sucedido. Os índices até agora são negativos. Estão todos enrolando, empurrando para frente. E há um problema muito claro posto aí, que vem desde Kyoto. Ou se discute o que precisa ser feito e depois como deve ser compartilhado o esforço para se atingir esse objetivo entre os diferentes atores, ou se discute até onde esses atores pretendem ir, e repetimos o erro de Kyoto, que mesmo se fosse implementado em 100%, seria apenas uma parcela do que deveria ser decidido naquele momento.

O senhor falou do presidente Lula. Como enxergou o anúncio de que o Brasil não levará metas obrigatórias...

Espere. Ontem ou anteontem li uma entrevista da ministra Dilma Roussef dizendo que não serão metas impostas, mas sim objetivos voluntariamente assumidos pelo Brasil. Eu acho isso correto. A responsabilidade social pesa essencialmente sobre os países industrializados.

Mas os países em desenvolvimento não podem repetir o modelo adotado pelos industrializados...

Os países industrializados não estão dispostos a assumir, então busca-se fórmulas complicadas para dizer que não se pode eliminar do esforço países que são grandes poluidores como China, Índia e Brasil. Esperar que esses países assumam voluntariamente compromissos é uma idéia forte. Não ter medo de assumir, e insistir sobre o fato de que é uma postura voluntária, não uma obrigação. De qualquer maneira, a diplomacia tem capacidades infinitas de encontrar fórmulas que depois podem ser interpretadas de maneira diferente. Ou haverá um momento em que os cinco, seis líderes mais importantes sentam à mesa para decidir, ou teremos um novo Kyoto. Por enquanto, esse acordo não apareceu.

Esses líderes, ao menos em seus discursos, vêm se posicionando de maneira favorável a uma economia de baixo carbono e uma mudança de paradigma na produção industrial. Mas não se percebe de fato mudanças significativas nesse modelo. Como seria uma maneira mais eficaz, ou até radical, para mudar de vez esse paradigma?

Esqueci meu colete do qual eu lhe tiraria uma resposta para essa pergunta. Não sei como se faz. Em última instância, uma pressão dos movimentos sociais poderia ter alguma importância, mas isso não está muito claro. Poderia haver uma convergência de movimentos sociais e políticos sobre esse assunto.


‘METADE DOS RECURSOS USADOS PARA SALVAR BANCOS ERRADICARIA FOME NO MUNDO’, DIZ LULA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira, em Roma, um chamado a que os países destinem recursos ao combate à fome, em uma cúpula marcada pela ausência de líderes das nações mais ricas – em tese as principais financiadores das iniciativas.

A reportagem é de Pablo Uchoa e publicado pela BBC Brasil, 16-11-2009.

Em um discurso de 18 minutos no início da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da ONU, Lula disse que "os líderes mundiais não evitaram gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar bancos falidos". "Com menos da metade desses recursos seria possível erradicar a fome no mundo", afirmou o presidente, acrescentando que o combate à fome “continua praticamente à margem da ação coletiva dos governos".

"É como se a fome fosse invisível", criticou. O encontro é promovido pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura.

Críticas

Segundo a organização, são necessários investimentos da ordem de US$ 200 bilhões por ano em agricultura primária nos países em desenvolvimento para atender à demanda global por alimentos até 2050, um aumento de 50% em relação aos níveis atuais.

Só a ajuda dos países ricos, diz a FAO, deveria ser de US$ 44 bilhões por ano em agricultura alimentar, – contra US$ 7,9 bilhões gastos atualmente a cada ano. Entretanto, as mensagens pedindo mais recursos para o combate à fome caíram em um vazio nesta segunda-feira em Roma, já que esta reunião ocorre sem a presença de lideranças importantes do mundo desenvolvido.

Em compensação, não faltaram críticas aos líderes ausentes. "Eu lamento a ausência dos países ricos neste encontro. É uma mensagem clara de que os ricos decidiram não tomar medidas para combater a fome no mundo", disse o líder líbio, Muamar Khadafi, na sua vez de falar. "Esta cúpula é sobre a mobilização de recursos e sem os países ricos, ninguém está dando nada para ninguém. A mensagem é que cada um tem de cuidar do seu próprio problema."

Mea culpa

Já a ONG Oxfam, de promoção do desenvolvimento, disse que a ausência dos países ricos é uma "falta de compromisso". "A falta de preocupação deles preocupa muito, justo quando mais de um bilhão de pessoas estão subnutridas e milhões de outras estão expostas à mudança climática e à volatilidade dos preços globais dos alimentos. Os países em desenvolvimento não deveriam ser deixados a sós nesta cúpula."

Em julho, durante seu encontro anual realizado em L'Acquila, na Itália, o G8, o grupo das sete economias mais industrializadas do planeta mais a Rússia, prometeu destinar aos países em desenvolvimento US$ 20 bilhões em um período de três anos para impulsionar a agricultura nesses países. Até agora o dinheiro não veio. O anfitrião do encontro, o premiê italiano Silvio Berlusconi, fez um mea culpa e admitiu que, após a promessa, é preciso "começar a trabalhar".

"Precisamos que cada país assuma sua obrigação de forma precisa, que garanta que o dinheiro possa ajudar os agricultores, em especial os pequenos, para elevar a produção de alimentos em todo o mundo", afirmou.

Lula

Enquanto isso não acontece, ONGs e a própria ONU alertam que a fome mata 24 mil pessoas a cada dia – 70% delas, crianças. A cada cinco segundos, uma criança morre por conta da falta de alimentos, dizem.
Ecoando essas estatísticas, o presidente brasileiro qualificou a fome de "a mais temível arma de destruição em massa que existe no nosso planeta".

"Na verdade ela não mata soldados, não mata Exércitos, ela mata sobretudo crianças inocentes que morrem antes de completar um ano de idade". Lula ainda lamentou que os esforços para socorrer os pobres da miséria, da exclusão e da desigualdade ainda sejam vistos por muitos como "assistencialismo” ou “populismo".

No Brasil, ele disse, tais esforços "foram iniciativas políticas que permitiram ao Brasil retirar 20,4 milhões da pobreza e reduzir em 62% a desnutrição infantil", disse o presidente. "Os milhões que antes não encontravam lugar em nossa sociedade passaram a ser, pouco a pouco, nosso maior ativo. Hoje, eles formam parte da nova fronteira econômica, social e política que está moldando o Brasil", acrescentou Lula.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

10 anos da batalha de Seattle


Um dos blogs obrigatórios para a militância de esquerda é o Blog do Professor Emir Sader. Esta semana ele traz uma postagem absolutamente relevante: os 10 anos da batalha de Seattle. Muito provavelmente este foi o momento da virada do jogo na luta contra o neoliberalismo. Vale a pena recordar este momento e fazer desta recordação mais um motivo de luta por uma nova sociedade. Acompanhe:

10 ANOS DE SEATTLE, por Emir Sader

Pareceu um raio em céu azul, aquele espetáculo sensacional em que se transformou o que deveria ter sido mais um show midiático do Consenso de Washington, numa nova reunião da OMC, em uma das cidades símbolo da pós-modernidade: Seattle.

A reunião não conseguiu ser realizada; se via ministros correndo pelas ruas, usando escadas rolantes para ver se conseguiam chegar de volta a seus hotéis – entre eles, Pedro Malan, figurinha carimba desse tipo de reunião. Enquanto a massa, convocada pela internet, não se sabia surgindo de onde, ocupava praças, ruas, hotéis, salas de reunião, estações de metrô, protagonizando a primeira grande manifestação global contra o pensamento único e o Consenso de Washington.

Não era um raio em céu azul, para quem havia constatado, por debaixo da aparente pax neoliberal, os problemas que a globalização ia produzindo. É certo que os governos que mais a personificaram se reelegiam – FHC, Fujijmori, Menem -, depois do sucesso de Reagan e da Thatcher, sucedidos por Blair e Clinton. Mas ao mesmo tempo se esgotavam. As crises financeiras – típicas do neoliberalismo – se estendiam pela América Latina, pelo sudeste asiático, pela Rússia.

Hugo Chavez tinha sido eleito um ano antes. A economia brasileira enfrentava uma nova crise, o que levou o governo FHC a elevar a taxa de juros a 48% e a jogar o país numa prolongada recessão. Sinais claros de que a economia argentina estava à beira de uma explosão da bomba de tempo instalada por Menem, com a paridade artificial entre o dólar e o peso. O México se recuperava com dificuldades da crise de 1994.

Desde que os zapatistas tinham lançado seu grito contra a globalização neoliberal, em 1994, as mobilizações populares foram se sucedendo, entre elas as extraordinárias marchas dos trabalhadores sem terra no Brasil, as lutas dos movimentos indígenas do Peru, da Bolívia, do Equador, iam se espalhando, anunciando um novo ciclo de mobilizações, como resistência popular ao neoliberalismo.

Seattle veio assim trazer à superfície os descontentamentos acumulados pelos efeitos deletérios das políticas neoliberais, com os imensos retrocessos sociais que representavam. Ignacio Ramonet havia publicado seu famoso editorial no Le Monde Diplomatique da França, conclamando à luta contra o pensamento único. ATTAC surgia como um novo tipo de movimento, de luta pela taxação do capital financeiro para promover políticas para a cidadania, com o lema “O essencial não tem preço”.

Iniciou-se, com Seattle, um novo ciclo de mobilizações populares que, enlaçando-se com o surgimento do Fórum Social Mundial, estendeu as mobilizações contra a OMC pela Europa, pela Ásia, pela América Latina, até desembocar nas maiores manifestações já conhecidas, contra a guerra do Iraque, em 2003.

Deste então, a luta pela superação do neoliberalismo ganhou novas formas, mais avançadas, passando do protesto e da resistência, à derrota do governos neoliberais e ao inicio do ciclo atual – latinoamericano – de construção de governos pós-neoliberais. Para sua vitória contribuíram decisivamente as lutas de Seattle e aquelas que no continente brecaram os processos de privatização, como as dos movimentos indígenas e cidadãos na Bolívia e no Equador. Podemos dizer que o novo cenário latinoamericano é herdeiro das lutas de resistência da década de 1990 e, em particular, das espetaculares manifestações de Seattle, que marcaram o fim da lua-de-mel neoliberal e o começo da construção do “outro mundo possível”, do pós neoliberalismo latinoamericano.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

É longo, mas vale a pena ler: Caetano versus Lula


Topamos com um texto muito interessante sobre o ataque de Caetano Veloso contra Lula, semana passada. Escrito por Marta Peres, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, retrata bem o preconceito de classe sofrido por Lula. É um pouco longo, mas vale a pena ler. Confira:


Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso,
por Marta Peres

Grande artista, não faz falta a Caetano Veloso um diploma de nível superior. Seus recentes comentários injuriosos a respeito do presidente com a maior aprovação da História do Brasil são indiscutivelmente coerentes - com sua visão de mundo, com a visão da classe a que pertence, assim como dos meios de comunicação que as constroem incansavelmente, bloqueando qualquer ensaio de questionamento ao seu insistente pensamento único.

Ao se referir a Lula como ‘analfabeto’, o termo está sendo utilizado de forma equivocada, pois ‘analfabetismo’ significa ‘não saber ler nem escrever’. Imagino que ele esteja se remetendo, de maneira exagerada, ao fato de Lula não ter diploma de graduação, coisa que o compositor tampouco possui. Esse tipo de exigência não é nem mesmo cogitada ante outros artistas geniais como Milton, Chico, Cora Coralina... Gilberto Gil, ex-ministro do governo Lula, graduou-se, mas não em música... ‘Ah, mas eles são artistas...’. E não seria a Política uma arte? Um pouco de Platão e Aristóteles não faz mal a ninguém...

Quanto à suposta ‘cafonice’ de nosso presidente, situado na revista americana Newsweek em 18° lugar entre as pessoas mais poderosas do mundo, Pierre Bourdieu (1930-2002) nos traz uma contribuição preciosa. De origem campesina, como Lula, o sociólogo francês criou conceitos que desmoronam o velho chavão do ‘gosto não se discute’. Para Bourdieu, não só se deve discutir, como estudar, compreender, aquilo que se trata de, mais que uma questão de ‘classe’, uma questão de ‘classe social’. Além do enorme abismo do ponto de vista propriamente econômico, os ‘gostos diferenciadores’, referentes ao ‘estilo de vida’, consistem na maior marca de violência simbólica e num fundamental instrumento de legitimação da dominação das classes dominadas pelas dominantes. Não somente é desigual a distribuição de renda numa sociedade dividida em classes, mas também o acesso à educação formal e informal - o hábito de freqüentar museus, espetáculos de teatro, música, dança - à sofisticação do vocabulário, às regras de etiqueta, à constituição da apresentação pessoal, dos ‘modos’ e atitudes corporais.

Obviamente, alcançar maior poder aquisitivo não possibilita a aquisição desse ‘capital cultural’ adquirido ao longo de toda uma vida no convívio com ‘outras pessoas elegantes’, ou seja, com a ‘elite’. Uma expressão precisa para designá-las, utilizada corriqueiramente na Zona Sul do Rio, é ‘gente bonita’ - como sinônimo de portadores de determinadas marcas de classe evidentes pelo vestuário, linguajar, cabelos, corpos, modos, atitudes. Bourdieu demonstrou os aspectos, às vezes despercebidos, da ‘construção social’ do gosto, seja o gosto de Caetano, das elites, dos que gostariam de ser elite, pretendendo se distinguir da massa supostamente ‘inculta’. Em outras palavras, as classes às quais pertencemos determinam, em grande parte, nossos critérios aparentemente inatos do que vem a ser elegância, numa relação de constante imitação, pelos ‘cafonas’, dos considerados detentores dos critérios de julgamento estético.

Lula não segue a corrente dos imitadores: mantém-se fiel à cafonice que o identifica com suas origens populares. Ah, como isso incomoda...

Embora seja assistido desde tempos imemoriais, lembrando que Norbert Elias estudou como a nobreza francesa era imitada por suas congêneres do resto da Europa no Ancien Régime, aqui, no Brasil, o fenômeno da distinção alcança as fronteiras do ‘nojo’, das reações fisiológicas desagradáveis, diante de tudo que possa remeter a atributos das classes populares, tudo que venha do ‘povão’.

Não é à toa que o REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais que tem como objetivo "criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais" – seja alvo de críticas ferrenhas, apesar de vir ao encontro de demandas por mais vagas já presentes nos protestos estudantis da França e do Brasil há quarenta anos, os quais, aqui, jamais sequer haviam sido objeto de atenção pelos governos. A demanda por cidadania e não por privilégios restritos é assunto que dá nojo, dá ‘gastura’, como se fala no interior do Brasil. Mas isso são outros quinhentos...

Embora o acesso universal à educação deva ser uma meta, podemos questionar – como muitos eminentes acadêmicos questionam – que a universidade seja a única fonte de conhecimento legítimo, sob o risco de repetirmos, em outros moldes, o papel de detentora do saber exercido pela Igreja Católica Medieval. O que seria de nós sem a contribuição inestimável de tantos notáveis que por ela não passaram?

Pode-se argumentar, contudo, que o referido compositor não tem preconceito de classe ou contra a falta de diploma, pois pretende votar em Marina Silva que, como Caetano, não possui graduação, e que, como Lula, tem origem humilde. (O curioso é que, sendo a candidata à sucessão de Lula uma economista, dessa vez, a mesma é cobrada por não possuir mestrado e acusada de ter lutado contra a ditadura militar: sempre inventarão motivos contrários a políticas públicas que ferem ideais de distinção de classe). Ao contrário do que parece, os atributos de Marina caem como uma luva para nossa conservadora classe média leitora do Globo e da Veja e que jamais se assumirá preconceituosa: portar a nobre e indignada bandeira da causa verde faz disparar sua pontuação no quesito ‘elegância’. Os que se preocupam ardentemente com a possibilidade de vida de seus netos e bisnetos são tocados em seu íntimo pelas questões ligadas à salvação das florestas.

Só que, mais uma vez, como a História sempre ajuda a enxergar, o buraco – na camada de ozônio – é mais embaixo: a destruição do planeta é a consequência inexorável de um sistema perverso que nele vem se instalando há alguns séculos. Ao longo de suas notáveis transformações, atingiu um ponto em que passou a se dar conta de seu próprio potencial de destruição e de identificar na preocupação com a natureza uma boa – e quem sabe, lucrativa - causa.

Do ponto de vista das chamadas ‘Gerações’ de Direitos Humanos, ao longo dos desdobramentos do capitalismo, a causa ecológica nasceu como a terceira filha. Enquanto a primeira, a segunda e a terceira gerações são identificadas com os ideais da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - a quarta, mais recente, relaciona-se a questões da Bioética e aos movimentos de segmentos minoritários ou discriminados da sociedade. A liberdade refere-se aos direitos civis e políticos, chamados de ‘direitos negativos’, pois limitam o poder exorbitante do Estado, que deve deixar o indivíduo viver e atuar politicamente. A igualdade consiste na luta pelos direitos sociais, culturais, econômicos, e demandam uma atuação ‘positiva’ do Estado no sentido de realizar ações que proporcionem condições de acesso de todos os indivíduos à educação, saúde, moradia, assistência social, dignidade no trabalho. Finalmente, a fraternidade esta ligada à ecologia, à preocupação com o destino da humanidade, irmanada por sua condição de habitante do planeta Terra.

Como se situaria o Brasil nessa História? Não vivemos mais no tempo de Marx, das jornadas de trabalho de 18 horas que não poupavam mulheres e crianças caindo mortas de fome ao redor das grandes máquinas sujas das fábricas. Hoje, longos tentáculos buscam mão de obra barata como a planta se dirige à luz do sol e os dejetos – da poluição e os seres humanos excluídos da participação em suas benesses - são escondidos do campo de visão dos que têm ‘bom gosto’. Depois de destruir suas próprias florestas, os países ricos se preocupam e ditam regras da etiqueta politicamente correta aos pobres, abraçando a ‘causa ecológica’ com a mesma eloqüência que ontem defenderam que a ‘mão invisível do mercado’ traria a felicidade geral. Hoje, uma mão visível segura imponente a bandeira do orgulho verde. Porém, o corpo do qual faz parte constitui-se de fome, miséria, doença, condições abaixo de qualquer noção de dignidade da pessoa humana. A bandeira parece ser de um médico, mas o sujeito que a segura é um ‘elegante’ monstro. Chega a ser apelativo falar em salvar o planeta tirando de contexto uma causa que ninguém ousará contestar. Mas que tal pesquisar casos concretos de vínculos incontestáveis entre partidos verdes de diferentes países com os setores mais conservadores das respectivas sociedades? Visualizando a imagem do monstro, de braços dados com uma chiquérrima Brigitte Bardot salvando animais, faz todo sentido. A Bela e a Fera...

De modo algum defendo qualquer teleologia e que tenhamos que passar por fases que os outros já passaram. Nem que os sete anos de Governo Lula tenham se proposto a enfrentar bravamente, contra tudo e contra todos, o capitalismo que domina quase toda a superfície do planeta. Ninguém falou em Revolução, aliás, não era esse o combinado. Apenas assisto a um esforço hercúleo de instaurar políticas que ferem o coração desses mecanismos de violência, real e simbólica, que o julgamento do que é ou não cafona só vem a perpetuar, no sentido de minimizar o enorme fosso que separa os que têm e os que não têm acesso a conquistas históricas impreteríveis do Ocidente, independentemente de obediência a qualquer cronologia, identificadas com os direitos humanos: combate à fome à miséria, acesso universal à educação, à energia elétrica, diminuição da desigualdade ímpar que nos assola. Fraternidade, também quero, mas junto com a Liberdade, e principalmente, o que mais nos falta, Igualdade! Não igualdade no sentido anatômico, igualdade de condições, junto com a quarta geração.
Não indignar-se com a miséria, agarrar-se ferrenhamente a seus privilégios, assim como espernear diante de sinais de mudança, faz parte do aprendizado de cegueira, inércia e arrogância por que passam nossas elites com seu gosto sofisticado. Mas ao contrário de um regime de concordância geral, o ideal de democracia é caracterizado justamente pela coexistência de opiniões diversas a respeito das políticas do governo. À insatisfação proveniente de certo campo ideológico correspondem, certamente, avanços jamais assistidos na História do Brasil. Com vínculos ideológicos resumidos na figura de ACM, nutridora de uma ordem social desigual desde 1500, existe uma indiscutivelmente sincera elite baiana à qual, desagradar, é sinal de que Lula está no caminho certo!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Debates entre candidatos: a necessidade de construir sínteses


Dois dos quatro debates previstos à presidência do PT em Porto Alegre já foram realizados. Um na Zona Leste e outro na Zona Sul da cidade. De bom conteúdo político, os debates pecam em um aspecto: cada candidato fala sobre temas diferentes, com conteúdos fixos e previamente definidos. Isso gera um problema razoável: ao invés de produzir sínteses que instrumentalizem a próxima direção municipal, produzem demarcações que nada contribuem. Com falas tão fragmentadas, o que fazer?

Em nossa opinião, o PT tem três grandes tarefas que valem a pena ser encaradas. Em torno destes eixos, o restante da luta se organiza:

1 – Debater os impactos da crise do neoliberalismo, que entre tantos outros efeitos, fez passar de 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo diariamente e, que só este ano, produziu mais de 50 milhões de desempregados em escala global. Se o PT é um partido que se reivindica transformador, que quer “outro mundo possível”, deve agir sobre esta realidade, debater internamente e dialogar com a sociedade um projeto alternativo de modelo econômico e social.

2 – Diante deste cenário global, pensar as candidaturas de Dilma e Tarso numa perspectiva programática. Muito se fala nas costuras de alianças eleitorais e pouco se trata de conteúdo. O que é necessário para o bom debate político e o aprofundamento do nosso projeto nacional é um programa popular, em direção à esquerda e não ao centro. O PT, enquanto partido de classe, deve disputar os rumos de seus governos, especialmente no país.

3 – Em Porto Alegre, devemos percorrer muito a cidade. O próximo presidente do PT deve ter vontade, disposição e disponibilidade de tempo para aglutinar a militância, reconstituir espaços de debate interno e capacidade para organizar o partido para a intervenção social. Ao mesmo tempo, combater o projeto de Fogaça e Yeda, que têm em comum a mesma natureza e a conveniência do protecionismo midiático. O começo é a denuncia do descaso vivido em áreas importantes, como saúde, assistência social, educação e infraestrutura urbana, entre outras áreas. Como diz Rosa Luxemburgo, “quem não se movimenta, não sabe as correntes que o prendem”. E esse é o papel do PT no seu diálogo com a população.

Temos feito esta reflexão no debate e esperamos que as demais candidaturas e chapas centrem o debate naquilo que é mais importante: a construção de sínteses.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Militantes enfrentam chuva forte e reforçam apoio a Rodrigo Oliveira



A chuva forte que inundou várias ruas da capital não desmotivou os militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) na manhã do último sábado, 07/11, em apoiar a candidatura de Rodrigo Oliveira à presidência do PT de Porto Alegre. Eles enfrentaram a tempestade e lotaram a Associação Comunitária da Vila São Judas Tadeu, localizada no Bairro Partenon, para almoçar com o candidato, o vereador Aldacir Oliboni (PT) e a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). O ato também era de apoio a Hermes Vidal (Tuca) para a presidência da Zonal 113 e Nélson Cúnico para a presidência da Zonal 159.

A associação foi escolhida como sede do ato por simbolizar aquilo que os candidatos e os mandatos parlamentares defendem para o PT. Um partido que funcione o ano todo, que esteja enraizado na vida das comunidades e nas lutas dos movimentos sociais.

Primeiro a falar, o vice-presidente do PT/RS, Cícero Balestro, disse apoiar Rodrigo Oliveira e a chapa Movimento por entender que ela está comprometida em dar continuidade ao projeto do PT em nível nacional e retomar o desenvolvimento com inclusão social aqui no Rio Grande do Sul. “Precisamos eleger os nossos candidatos da Chapa Movimento para retomar a inserção dos movimentos sociais na sociedade gaúcha”, afirmou.

Candidato a zonal 159, Nélson Cúnico afirmou que representará todos os filiados da região e dará continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido na região do Partenon, uma das únicas onde o PT saiu vencedor em 2008. “Se dependesse desta região, Maria do Rosário seria hoje a prefeita de Porto Alegre”.

Tuca, candidato à presidência da zonal 113, disse que o PT “tem que respeitar e saber ouvir cada vez mais a sua base comunitária”. Para ele, é preciso fazer valer a pena ser militante e fazer uma grande reflexão sobre a atuação do partido no movimento comunitário, fortalecendo sua atuação e construindo bons quadros que possam transformar-se em lideranças comunitárias da região.

O vereador Aldacir Oliboni expressou sua vontade de recuperar a motivação dos petistas. “Nós queremos o PT que tínhamos desde o início da Frente Popular em Porto Alegre. Quero chamar todos os nossos companheiros para a responsabilidade, para dialogar com a sociedade e para oxigenar o sentimento petista”.

Já a deputada federal Maria do Rosário afirmou a necessidade de termos um PT forte, que ajude a comunidade. “O PT não pode apenas viver de passado. O PT tem que ter um presente de lutas e um futuro para a sociedade, mas com capacidade inovadora”.

Último a falar, Rodrigo Oliveira, candidato a presidente do PT de Porto Alegre, manifestou a sua vontade de ver o partido funcionando o ano todo. “Eu tenho vontade de dar uma sacudida no PT aqui em Porto Alegre e renovar a militância, deixando a renovação do partido vir à tona. Estarei presente na vida do partido em todas as regiões, visitando cada zonal, cada setorial e núcleo partidário e contribuindo para que eles possam estar organizados e presentes nas lutas da nossa cidade”, finalizou.

Já na segunda-feira, cerca de 70 militantes petistas trabalhadores dos Correios manifestaram seu apoio na Sede Municipal do PT. Quinta-feira, será a vez de militantes das zonais 112 e 158.

Por: Daiani Cerezer (MTb: 12.106)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O “Plano” da Yeda


Semana passada Yeda Crusius anunciou com estardalhaço a proposta de um novo Plano de Carreira. Ao contrário do noticiado pelos órgãos de imprensa, o Plano não é positivo para a categoria. Acreditamos que é pertinente fornecer uma visão do outro lado da moeda (aliás, o nosso lado...) e reproduzimos abaixo a nota oficial do Cpers Sindicato sobre o assunto. Acompanhe:

NOTA DA DIREÇÃO DO CPERS/SINDICATO

No dia 5 de novembro a governadora Yeda Crusius anunciou, pela imprensa, que irá encaminhar projetos à Assembléia Legislativa com propostas de modificações nas carreiras e na forma de remuneração dos servidores públicos.

Os projetos não foram apresentados ao CPERS/Sindicato, num claro desrespeito à nossa entidade. Mas as informações divulgadas nos meios de comunicação através de manifestações da governadora e de secretários de estado indicam que:

1 - O governo pretende instituir o valor de R$ 1.500,00 como remuneração mínima e não como básico do nosso Plano de Carreira;

2 - Yeda também deseja estabelecer a remuneração por mérito, através de mecanismos de avaliação e cumprimento de metas de gestão, como se a escola fosse uma empresa;

3 - O governo condicionará futuros reajustes ao superávit na arrecadação do estado;

4 - A proposta também deixa clara a intenção do governo de simplesmente excluir os aposentados de qualquer possibilidade de reajustar seus vencimentos.

Ao contrário do anunciado, os projetos do governo não concedem qualquer reajuste salarial e têm como única finalidade mascarar o desmonte das carreiras da categoria.

O governo mais uma vez tenta enganar os trabalhadores em educação e a sociedade. Pretende acabar com as carreiras dos educadores criando para isso um abono salarial, pois não reajusta o vencimento básico das classes e dos níveis.

Ao propor a remuneração através da meritocracia, ignora a falta de estrutura e de investimentos na educação, o sucateamento das escolas e as enormes desigualdades, sociais e econômicas existentes entre as diferentes regiões e mesmo entre municípios. Com este mecanismo, apenas alguns poderiam receber o dito “14º salário”, sem contar que os aposentados estariam fora.

O CPERS/Sindicato repudia qualquer iniciativa que invista contra os planos de carreira e também que exclua os aposentados, bem como propostas que discriminem algum trabalhador em educação.

Portanto, o CPERS/Sindicato denuncia a propaganda enganosa do governo ao anunciar que esta criando uma nova e vantajosa matriz salarial para o magistério e também o método golpista de tratar a categoria, pois anuncia medidas que trarão duras conse-qüências para todos, poucos dias antes da audiência marcada com a direção da entidade.

Na realidade, Yeda aumenta as distorções salariais, pois enquanto ataca os trabalhadores em educação, arrochando os salários, concede substanciais aumentos para os que estão no topo da pirâmide, como delegados, coronéis, Tribunal de Contas, procuradores, secretários e até mesmo o seu próprio salário.

Por estas razões, convocamos todos para, uma vez mais, se mobilizar na defesa dos nossos direitos, exigindo a implantação imediata do Piso Salarial Nacional como básico do nosso Plano de Carreira, rejeitando a proposta do governo e exigindo reajustes que recomponham as perdas salariais para todos os trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul, pois os professores e os funcionários de escola vivem o mais brutal arrocho dos últimos anos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quem aparelha a máquina pública?




Uma das principais diferenças entre o projeto do PT e os projetos conservadores é valorização do Estado enquanto agente promotor de políticas públicas inclusivas. Para tanto, nossos governos são caracterizados pela realização de concursos públicos, valorização dos servidores e dos recursos humanos em geral, ampliação de programas e fortalecimento das empresas estatais. Geralmente, a reação da oposição conservadora é a crítica pelo dito “inchaço” do Estado ou “aparelhamento para arranjar cargos para os companheiros”. Crítica esta que, infundada, esconde a verdadeira natureza dos blocos que hoje apóiam José Serra, Yeda e Fogaça: o neoliberalismo.

Pensando no caso de Porto Alegre, cabe perguntar: quem mesmo aparelha a máquina pública?

Pois bem, desde que assumiu a prefeitura, Fogaça duplicou o número de Cargos em Confiança, triplicou o número de estagiários, duplicou o volume de terceirizações e triplicou os gastos em publicidade. Qual o reflexo disto? Além do verdadeiro aparelhamento da gestão para acomodar os partidos de sua base, a consequência é a desvalorização das carreiras públicas, arrocho salarial para os servidores municipais (para 2010, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de Fogaça não prevê aumento para o funcionalismo), e, especialmente, o encolhimento das funções e programas públicos. Quem anda na cidade, sente os efeitos na qualidade das ruas e avenidas, cheias de buracos, no descuido das praças públicas, na modesta prestação em serviços de saúde e dificuldades na área de assistência social. Isso sem falar da falta de grandes projetos e iniciativas para a cidade.

Este é um tema relevante, que deve merecer atenção do PT de Porto Alegre em seu diálogo com o conjunto da sociedade.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O PT e a oposição ao governo Fogaça



Temos percorrido a cidade em conversas com filiados e filiadas sobre o Processo de Eleições Diretas do PT. Este contato mais direto só aprofunda algumas convicções que temos sobre as tarefas do partido e a necessidade de “aumentar o tom” no exercício da oposição ao governo Fogaça.

Primeiro, percebe-se o quanto a cidade está descuidada. Ontem, na Lomba do Pinheiro, moradores reclamavam de uma verdadeira cratera na entrada da sua rua. Já haviam procurado diversas vezes o Centro Administrativo Regional e nada de providências há mais de um ano. Apenas um entre tantos exemplos. Cá pensamos, se nas regiões tidas como as mais “nobres” da cidade se observa profundo descuido (avenidas com asfalto em deterioração, praças e parques descuidados, demora na execução de serviços mais básicos), o que sobra para a periferia da cidade?

Segundo, uma das polêmicas da última campanha permanece exatamente como antes. Não há nenhum projeto de vulto sendo gestado pela atual administração. Pergunta-se para as pessoas o que elas acham da gestão de Fogaça, qual sua marca, e as respostas, após breves silêncios, são invariavelmente negativas, com tom crítico. A única iniciativa percebida pelas pessoas nesses cinco anos é o camelódromo, onde os vendedores estão reclamando de forma veemente sobre o preço dos aluguéis e a pouca circulação de público.

Além destes dois elementos mais centrais, outros vários podem ser agregados, desde o inchaço da máquina pública com contratação de CC´s e estagiários (mais que dobraram com Fogaça) até as dificuldades corriqueiras na atenção básica em saúde.

Diante deste quadro, qual são as tarefas do PT?

Primeiro, aprofundar a coesão da bancada de vereadores, somada ao partido, para desenvolver ações de denuncia deste quadro. Segundo, rearticular os mais de 150 núcleos de base do partido existente na cidade, mobilizando a consciência crítica das pessoas. Além disso, percorrer os bairros, numa verdadeira caravana petista, para montar dossiê do descaso pelo qual Porto Alegre passa com Fogaça. É com este espírito que estamos concorrendo ao PT municipal e pretendemos retomar a vivacidade do nosso partido.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A necessidade de controle público sobre a mídia


Na última postagem do Blog, abordamos da “pérola” que foi a matéria da Veja sobre uma possível reestatização da Vale do Rio Doce. Hoje, a Globo aprontou mais uma para a extensa lista de bizarrices promovidas pelos grandes meios de comunicação do país, os verdadeiros dirigentes dos partidos de oposição à Lula e nosso projeto.

Dessa vez o alvo foi a defesa de Lula ao ingresso da Venezuela no Mercosul, em discussão no Senado. O telejornal Bom Dia Brasil, dedicou matéria especial sugerindo que o ingresso da Venezuela no bloco significa a adesão de um “ditador” como parceiro estratégico do Brasil. Tudo porque Chávez fez um processo constituinte naquele país ampliando direitos sociais e permitindo reeleição presidencial. Engraçado, quando FHC fez o mesmo no Brasil, a Globo se calou. Agora, recentemente, quando Uribe impôs a possibilidade de um 3º mandato para si mesmo na Colômbia, a Globo se calou.

Para demonizar Lula, o comentarista Alexandre Garcia chegou a comentar que Chávez estava “perseguindo judeus na Venezuela ao estilo de Hitler”, omitindo que aquele país rompeu diplomaticamente com Israel por conta do massacre na Palestina na virada do ano passado. Rompimento diplomático e genocídio étnico são coisas tremendamente diferentes.

Por conta desses fatos, temos a necessidade de implementar no país o controle público sobre a mídia. Essa discussão ocorrerá em dezembro, na Conferência Nacional de Comunicação. O PT tem posição firme nesse sentido. Acompanhe o debate no link abaixo e vamos trabalhar para construir uma realidade onde exista, de fato, a democratização do direito a comunicação de qualidade.

http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=82182&Itemid=195

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E a Veja deu uma boa sugestão ao Programa da candidatura Dilma


A última edição da Revista Veja deu uma excelente pauta para o Programa de Governo da candidatura Dilma. De forma engraçada, se não patética, a reportagem de Veja entitulada “O PT quer engolir a Vale” afirma que “nos bastidores do violento ataque contra a maior empresa privada brasileira existe a articulação para subordiná-la aos planos do partido para 2010”.

Tudo porque, na semana passada, Lula criticou o fato da Vale comprar 12 navios da China, em prejuízo aos estaleiros brasileiros, o atraso na construção de cinco novas siderúrgicas e a demissão de mais de 1500 trabalhadores. O que Lula fez é o que qualquer presidente honrado deveria fazer, defender os interesses do país, do seu povo. Já para a Veja, uma das principais porta-vozes da direita no país, isso é a ameaça de estatização da empresa já que, nas palavras da revista, “a companheirada não desiste da Vale”.

O que para a Veja é um perigo, na nossa opinião é um bom elemento de debate para a candidatura Dilma. As privatizações dilapidaram o país. A maioria das empresas foram compradas com financiamento do BNDES e abaixo do preço de mercado. No caso da Vale, que hoje tem valor de mercado em 61 bilhões de dólares, foi vendida por FHC a 3,6 bilhões. Uma injustiça, um crime!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

PARTICIPEM DO LANÇAMENTO DA NOSSA CANDIDATURA

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alexandre Postal, dep. estadual do PMDB e da base de Yeda: "Estou ENOJADO!" Após arquivamento do Impeachment, novos áudios dão fôlego à CPI da Corrup


Hoje (26) foi iniciada uma nova fase na CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa. Os deputados tiveram acesso aos áudios da Operação Solidária, da Polícia Federal, disponibilizados pela Justiça, que começaram a ser ouvidos nesta manhã.

Só para lembrar, a Operação Solidária é aquela que começou por conta do desvio de merenda escolar na prefeitura de Canoas. Com o desdobramento da investigação, percebeu-se que o esquema de corrupção era tão grande, que acabou atingindo o centro do governo Yeda, o PSDB e o PMDB, além de outros partidos. Para se ter uma idéia, o montante de recursos desviados é mais de seis vezes o valor da Operação Rodin, que motivou a CPI do Detran e o pedido de Impeachment de Yeda.

Como é protegido por segredo de justiça, não é possível saber que elementos os deputados tiveram acesso. No entanto, a declaração de um dos poucos deputados governistas que estiveram presentes na reunião (o governo esvaziou o encontro para retirar o quórum), o deputado Alexandre Postal, do PMDB, deu o tom do conteúdo: “estou enojado com o que ouvi, inclusive de companheiros, o que é lamentável”.

Promiscuidade foi a palavra síntese que permeou o conjunto das avaliações dos deputados. Paulo Borges, deputado do DEMO, observou que “é uma pena que a gente não possa falar sobre o que ouvimos aqui. Tomara que um dia toda a imprensa tenha acesso ao teor destes CDs e revele à sociedade o que aconteceu nesta Estado".

Para mais informações, vale a pena acessar o Blog http://zerocorrupcao.blogspot.com/.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Está esquentando! E o papel do PT?



O ano de 2010 vem chegando e a “coisa” está esquentando. A oposição acusa Lula de antecipar a agenda eleitoral na tentativa de desgastar o presidente e sua sucessora. Porém, cabe a pergunta: será Lula o “culpado” pela antecipação das eleições?

Na pauta política nacional, quem desesperadamente tenta precipitar o debate é justamente a oposição, e de todas as formas. Antes a CPI da Petrobrás, agora a CPI do MST. O criticismo é tal que o fato de Lula visitar as obras do São Francisco parece ter se tornado crime. É tal que esperneiam fortemente por conta do pacto nacional com o PMDB. Até mesmo os recursos de mais baixo nível estão sendo utilizados: na última quarta-feira, Heráclito Fortes chamou o senador petista Eduardo Suplicy de “corno” e “idiota”.

O que se depreende destas atitudes é o temor em vencermos as eleições com Dilma no próximo ano. Não restam dúvidas que com a entrada da propaganda de rádio e TV*, Lula ao lado de Dilma e as conquistas alcançadas por estes dois mandatos, o favoritismo é do campo popular, e não de Serra. Soma-se a isso o fato de que a crise no Brasil foi apenas uma marolinha e os dados voltam a ser positivos, dia após dia. Hoje mesmo, todos os indicadores estão apontando crescimento do emprego e renda dos trabalhadores.

Com esta situação posta, qual o papel do PT? O principal papel é se reforçar enquanto protagonista deste processo. Ao longo dos últimos anos, com a popularidade de Lula em alta, o alvo da oposição foi o PT e a tentativa de aniquilamento do nosso projeto político de país. Não conseguiram, permanecemos firmes. Porém, não podemos entrar numa ampla aliança nacional apenas com a candidata, pelo contrário! Cabe ao PT fazer um forte debate sobre o Programa que norteará a candidatura Dilma. Deve se constituir numa plataforma de avanços para os trabalhadores e o povo e não algo insosso em direção ao Centro.

Alianças sim, mas com protagonismo popular!


*Por conta das possíveis alianças com PDT, PCdoB, PMDB, PR, PRB e PTB, o tempo de TV e rádio com Dilma será, disparado, o maior. Isso sem contar uma possível incorporação do PSB de Ciro e dos outros vários paridos que compõe a coalizão.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Estão preparando a privatização da água em POA?


O líder do governo Fogaça na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Valter Nagelstein (PMDB), tem defendido o estabelecimento de Parcerias Público Privadas para o setor de água e saneamento, como justificativa para o início de coleta de água no Jacuí. Sustenta que é necessário arrecadar R$ 45 milhões junto à iniciativa privada. Tal posicionamento levanta suspeitas, já que no primeiro mandato de Fogaça foi feito uma reestruturação de cargos e salários que prepara terreno para possível “abertura” do Departamento Municipal de Águas e Esgoto (Dmae).

Ora, privatizar o Dmae é, sobretudo, perverso. É um departamento altamente rentável aos cofres municipais e, além disso, fornece algo inaliável à vida humana. Isso lembra a privatização da Vale do Rio Doce e tantas outras empresas nacionais e estaduais, que FHC entregou a troco de banana. Só para lembrar, a Vale é uma das empresas de mineração mais valorizadas do mundo que, antes, era pública.

Por isso defendemos uma “sacudida” no PT de Porto Alegre, habilitando-o para que faça, novamente, a ocupação do espaço público da cidade defendendo causas justas como o combate a uma possível privatização do Dmae.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Queremos um partido com VOZ!


Desde quando escrevemos nossa chapa e candidatura ao PT de Porto Alegre, dizemos que queremos um partido com opinião política, com VOZ, na cidade e no país.

O que é ter voz? É ser portador do discurso dos movimentos, daqueles que são excluídos, dos que lutam por empoderamento, é denunciar injustiças, é afirmar nossas bandeiras. Seja para combater Fogaça, Yeda e seus aliados, seja para defender o nosso governo Lula, pressioná-lo para avançar em direitos, atacar os conservadores e aqueles que querem de volta o tempo do Estado Mínimo e das privatizações.

Temos falado isso em algumas rodas e as pessoas compreendem, se identificam. Vamos trabalhar isso nos debates do PED. De qualquer sorte, para ajudar no debate, achamos um texto do jornalista Mauro Carrara, publicado no “Vi o mundo”, muito interessante. Vale a pena ler. Chama-se Lula e o segredo do partido mudo. Acesse pelo:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lula-e-o-segredo-do-partido-mudo/

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Parece que a crise passou... mas só aqui no Brasil. Nos EUA, desemprego bate a casa dos 20% em setembro


Não é segredo: os efeitos da crise no Brasil praticamente já passaram. No entanto, a impressão local pode levar a crer que mundialmente a situação já é mais tranquila, algo que não acontece.

Ao acompanhar as notícias internacionais, bem como artigos de cientistas econômicos e sociais que analisam o caso, percebe-se que os efeitos ainda estão se manifestando e o que está por vir se encontra em disputa.

Em nossa opinião, o PT deve interagir neste debate para sedimentar uma posição e, sobretudo, propor uma postura ao seu governo, ao 3º Mandato com Dilma e à sua militância. Para contribuir no debate, nos parece relevante a leitura de três artigos selecionados abaixo:

1) Sobre a situação no mercado de trabalho norte-americano e perspectiva de nova crise, acessa http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16188, por Paul Craig Roberts;
2) Para uma leitura histórica da crise atual, acessa http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16189, por Eric Hobsbawm;
3) Sobre os desafios da esquerda em propor algo alternativo, acessa http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=359, por Emir Sader.

Deem uma olhada que vale a pena, já que os textos são bastante objetivos e esclarecedores.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No Dia Mundial da Alimentação, Brasil é referência mundial no combate à fome

Segundo notícia divulgada pela BBC Brasil, ações implementadas pelo governo Lula se tornaram referência mundial no combate à fome. Isso prova que políticas públicas podem combater desigualdades.

No entanto, é relevante lembrar que a concentração de riquezas faz com que, em pleno Século XXI, ainda convivamos com fome e miséria. Em plena crise do capitalismo, ao final do ano passado e neste 2009, as Nações poderosas não hesitaram em liberar trilhões de dólares para salvar o sistema financeiro. Pergunta-se, no entanto, quais foram os montantes destinados ao bem estar da classe trabalhadora e do povo se, só neste ano, por conta da crise, mais de 100 milhões de pessoas, segundo a FAO, passaram a realidade da subnutrição. Mesmo que no Brasil a fome diminua, graças ao nosso governo, no mundo mais de 1 bilhão, sim, mais de 1 bilhão de pessoas passam fome todos os dias.

De qualquer sorte, veja a notícia:

O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e para marcar o Dia Mundial da Alimentação, na sexta-feira. Segundo o documento, o País demonstra "o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome". A lista foi elaborada a partir de pesquisas sobre as políticas sociais contra a fome em governos de 50 países.

Para acessar a íntegra da notícia, acesse http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4045054-EI306,00-Brasil+e+lider+no+combate+a+fome+entre+emergentes+diz+ONG.html

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não basta apenas ser filiado, tem que ser um militante aguerrido, comprometido com as lutas!


Para dirigir o PT de Porto Alegre nesta conjuntura, é preciso muito entusiasmo, dedicação e capacidade para agregar a militância, envolvendo as instâncias do partido na luta viva do dia a dia das comunidades, dos movimentos, da sociedade. E são estas condições que o companheiro Rodrigo Oliveira reúne.

Com os mesmos 29 anos do PT, aos 16 anos começou a participar da setorial de juventude do partido quando era do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho. A época era de manifestações pela educação de qualidade e contra as privatizações promovidas pelo governo Antônio Britto. Mais tarde, já na universidade, coordenou o Centro de Estudantes de Ciências Sociais e o Diretório Central dos Estudantes da UFRGS. Na entidade, liderou lutas contra o desmonte das universidades públicas promovido pelo governo FHC e participou ativamente dos debates de implantação da UERGS durante o governo Olívio. Sua participação no movimento social o habilitou, aos 24 anos, para ser da Executiva Estadual do PT do Rio Grande do Sul. Recentemente participou da coordenação de campanha da companheira Maria do Rosário à prefeitura de Porto Alegre e atualmente integra a Executiva Municipal do partido. Sua trajetória comprometida com as lutas do povo e com a construção partidária demonstra que o companheiro Rodrigo está preparado para o desafio de ser presidente do PT de Porto Alegre, renovando nosso projeto político na cidade e constituindo um novo ciclo de vitórias!