sábado, 21 de novembro de 2009

Vale a pena ser PT


Amanhã, domingo, é dia de sacudir o PT de Porto Alegre.

Sacudir para renovar, para transformar, para valer a pena ser PT. Construir um partido que debate, que procura sua militância, que é ativo, criativo e popular.

Venha conosco fortalecer o PT na cidade! Venha com a chapa Movimento e Esperança Vermelha!

Boa luta e até a vitória!

Locais de votação:

1ª e 2ª Zonais
Onde: Sede Municipal do PT - Av. João Pessoa, nº 785.

111 Zonal
Onde: Associação Comunitária Passo D'Areia - Rua Serro Azul, 145 (esquina Rua São Salvador) - Bairro Passo D'Areia;

112 e 158 Zonais
Onde: Colégio Mesquita, Av. do Forte, 77;

114 Zonal
Onde: Grêmio Gaúcho (Gauchinho) - Av. Carlos Barbosa, 1525.

113 e 159 Zonais
Onde: Igreja São Judas Tadeu - R. Juarez Távora, 171

160 Zonal
Onde: Antiga sede da Zonal - Av. Cavalhada, 2386

161 Zonal
Onde: Escola Borghesi, Av. Juca Batista, 4028.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dois temas para debate: fome no mundo e sustentabilidade ambiental



No último debate entre os candidatos ontem, nossa candidatura tratou de dois temas que tiveram repercussão ao longo das intervenções de plenário: a fome no mundo e o tema da sustentabilidade ambiental.

Ambos temas, na nossa opinião, guardam relação com o modelo econômico vigente em escala global que está em crise desde o ano passado: o capitalismo. O aquecimento global é fruto das emissões de carbono geradas pela economia deste modelo e mais de 100 milhões de pessoas passaram à subnutrição diária por conta crise do capitalismo no último ano. Como resultado disso, diariamente mais de 1 bilhão de pessoas passam fome e, entre as principais vítimas as crianças.

Acompanhe abaixo duas notícias vinculadas aos temas:


''A RESPONSABILIDADE SOCIAL PESA ESSENCIALMENTE SOBRE OS PAÍSES INDUSTRIALIZADOS'', DIZ SACHS

Ignacy Sachs está em alta no debate público. O intelectual de 81 anos, consultor de vários governos - dentre eles o brasileiro - é professor da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais em Paris, onde criou e dirige o Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo.

Com a proximidade da 15ª Conferência da ONU para o clima, a COP-15, a se realizar em dezembro, na cidade dinamarquesa de Copenhague, sua voz passa a ser cada vez mais procurada na tentativa de entender o atual momento vivido e, principalmente, vislumbrar alternativas de um futuro menos apocalíptico.

Durante a semana passada, ele esteve no II Seminário Conexões Sustentáveis: São Paulo - Amazônia, onde falou brevemente sobre o contexto em que o debate sobre a mudança de paradigmas em busca de uma economia de baixo carbono está inserido.

A reportagem e a entrevista é de Amazonia.org.br, 16-11-2009.

"Estamos entrando na terceira grande transição da humanidade. Depois do domínio das técnicas agrícolas e da era das energias fósseis, entramos agora num momento de encontrar uma saída ordenada para todos esses problemas que estão a nossa frente. Mas isso não acontecerá da noite para o dia, e sim, na perspectiva do que nos acompanhará até o fim desse século", disse ele.

O professor enxerga na crise a oportunidade para a humanidade "mudar de rumo". Ele destacou a necessidade do aumento das redes de serviços sociais, para que o Estado atue sobre o bem-estar da população sem influência do mercado. Segundo Sachs, para se atingir esse ponto, devemos adotar o voluntarismo responsável, que ele explica não se tratar de transportar utopias para o futuro, mas sim, contribuir com um projeto de longo prazo que tenha chances de ser realizado, enfrentando simultaneamente os desafios postos nas áreas social e ambiental.

"Temos que nos proteger de um paradigma de relações assimétricas. Precisamos tornar visíveis os padrões de relacionamento e nos proteger contra a exploração abusiva", conclui.

De saída, Sachs concedeu rápida entrevista ao Amazônia.org, que foi interrompida abruptamente pela urgência do professor em seguir para outro compromisso.

Eis a entrevista.

Copenhague será um fracasso, assim como Kyoto?

Pelos índices apresentados até agora, é difícil ser otimista. Mas é sempre possível imaginar uma inversão da situação através de uma ação de última hora de um grupo de grandes líderes. Sei que o presidente Lula está bastante empenhado na idéia. Oxalá seja bem sucedido. Os índices até agora são negativos. Estão todos enrolando, empurrando para frente. E há um problema muito claro posto aí, que vem desde Kyoto. Ou se discute o que precisa ser feito e depois como deve ser compartilhado o esforço para se atingir esse objetivo entre os diferentes atores, ou se discute até onde esses atores pretendem ir, e repetimos o erro de Kyoto, que mesmo se fosse implementado em 100%, seria apenas uma parcela do que deveria ser decidido naquele momento.

O senhor falou do presidente Lula. Como enxergou o anúncio de que o Brasil não levará metas obrigatórias...

Espere. Ontem ou anteontem li uma entrevista da ministra Dilma Roussef dizendo que não serão metas impostas, mas sim objetivos voluntariamente assumidos pelo Brasil. Eu acho isso correto. A responsabilidade social pesa essencialmente sobre os países industrializados.

Mas os países em desenvolvimento não podem repetir o modelo adotado pelos industrializados...

Os países industrializados não estão dispostos a assumir, então busca-se fórmulas complicadas para dizer que não se pode eliminar do esforço países que são grandes poluidores como China, Índia e Brasil. Esperar que esses países assumam voluntariamente compromissos é uma idéia forte. Não ter medo de assumir, e insistir sobre o fato de que é uma postura voluntária, não uma obrigação. De qualquer maneira, a diplomacia tem capacidades infinitas de encontrar fórmulas que depois podem ser interpretadas de maneira diferente. Ou haverá um momento em que os cinco, seis líderes mais importantes sentam à mesa para decidir, ou teremos um novo Kyoto. Por enquanto, esse acordo não apareceu.

Esses líderes, ao menos em seus discursos, vêm se posicionando de maneira favorável a uma economia de baixo carbono e uma mudança de paradigma na produção industrial. Mas não se percebe de fato mudanças significativas nesse modelo. Como seria uma maneira mais eficaz, ou até radical, para mudar de vez esse paradigma?

Esqueci meu colete do qual eu lhe tiraria uma resposta para essa pergunta. Não sei como se faz. Em última instância, uma pressão dos movimentos sociais poderia ter alguma importância, mas isso não está muito claro. Poderia haver uma convergência de movimentos sociais e políticos sobre esse assunto.


‘METADE DOS RECURSOS USADOS PARA SALVAR BANCOS ERRADICARIA FOME NO MUNDO’, DIZ LULA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira, em Roma, um chamado a que os países destinem recursos ao combate à fome, em uma cúpula marcada pela ausência de líderes das nações mais ricas – em tese as principais financiadores das iniciativas.

A reportagem é de Pablo Uchoa e publicado pela BBC Brasil, 16-11-2009.

Em um discurso de 18 minutos no início da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da ONU, Lula disse que "os líderes mundiais não evitaram gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar bancos falidos". "Com menos da metade desses recursos seria possível erradicar a fome no mundo", afirmou o presidente, acrescentando que o combate à fome “continua praticamente à margem da ação coletiva dos governos".

"É como se a fome fosse invisível", criticou. O encontro é promovido pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura.

Críticas

Segundo a organização, são necessários investimentos da ordem de US$ 200 bilhões por ano em agricultura primária nos países em desenvolvimento para atender à demanda global por alimentos até 2050, um aumento de 50% em relação aos níveis atuais.

Só a ajuda dos países ricos, diz a FAO, deveria ser de US$ 44 bilhões por ano em agricultura alimentar, – contra US$ 7,9 bilhões gastos atualmente a cada ano. Entretanto, as mensagens pedindo mais recursos para o combate à fome caíram em um vazio nesta segunda-feira em Roma, já que esta reunião ocorre sem a presença de lideranças importantes do mundo desenvolvido.

Em compensação, não faltaram críticas aos líderes ausentes. "Eu lamento a ausência dos países ricos neste encontro. É uma mensagem clara de que os ricos decidiram não tomar medidas para combater a fome no mundo", disse o líder líbio, Muamar Khadafi, na sua vez de falar. "Esta cúpula é sobre a mobilização de recursos e sem os países ricos, ninguém está dando nada para ninguém. A mensagem é que cada um tem de cuidar do seu próprio problema."

Mea culpa

Já a ONG Oxfam, de promoção do desenvolvimento, disse que a ausência dos países ricos é uma "falta de compromisso". "A falta de preocupação deles preocupa muito, justo quando mais de um bilhão de pessoas estão subnutridas e milhões de outras estão expostas à mudança climática e à volatilidade dos preços globais dos alimentos. Os países em desenvolvimento não deveriam ser deixados a sós nesta cúpula."

Em julho, durante seu encontro anual realizado em L'Acquila, na Itália, o G8, o grupo das sete economias mais industrializadas do planeta mais a Rússia, prometeu destinar aos países em desenvolvimento US$ 20 bilhões em um período de três anos para impulsionar a agricultura nesses países. Até agora o dinheiro não veio. O anfitrião do encontro, o premiê italiano Silvio Berlusconi, fez um mea culpa e admitiu que, após a promessa, é preciso "começar a trabalhar".

"Precisamos que cada país assuma sua obrigação de forma precisa, que garanta que o dinheiro possa ajudar os agricultores, em especial os pequenos, para elevar a produção de alimentos em todo o mundo", afirmou.

Lula

Enquanto isso não acontece, ONGs e a própria ONU alertam que a fome mata 24 mil pessoas a cada dia – 70% delas, crianças. A cada cinco segundos, uma criança morre por conta da falta de alimentos, dizem.
Ecoando essas estatísticas, o presidente brasileiro qualificou a fome de "a mais temível arma de destruição em massa que existe no nosso planeta".

"Na verdade ela não mata soldados, não mata Exércitos, ela mata sobretudo crianças inocentes que morrem antes de completar um ano de idade". Lula ainda lamentou que os esforços para socorrer os pobres da miséria, da exclusão e da desigualdade ainda sejam vistos por muitos como "assistencialismo” ou “populismo".

No Brasil, ele disse, tais esforços "foram iniciativas políticas que permitiram ao Brasil retirar 20,4 milhões da pobreza e reduzir em 62% a desnutrição infantil", disse o presidente. "Os milhões que antes não encontravam lugar em nossa sociedade passaram a ser, pouco a pouco, nosso maior ativo. Hoje, eles formam parte da nova fronteira econômica, social e política que está moldando o Brasil", acrescentou Lula.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

10 anos da batalha de Seattle


Um dos blogs obrigatórios para a militância de esquerda é o Blog do Professor Emir Sader. Esta semana ele traz uma postagem absolutamente relevante: os 10 anos da batalha de Seattle. Muito provavelmente este foi o momento da virada do jogo na luta contra o neoliberalismo. Vale a pena recordar este momento e fazer desta recordação mais um motivo de luta por uma nova sociedade. Acompanhe:

10 ANOS DE SEATTLE, por Emir Sader

Pareceu um raio em céu azul, aquele espetáculo sensacional em que se transformou o que deveria ter sido mais um show midiático do Consenso de Washington, numa nova reunião da OMC, em uma das cidades símbolo da pós-modernidade: Seattle.

A reunião não conseguiu ser realizada; se via ministros correndo pelas ruas, usando escadas rolantes para ver se conseguiam chegar de volta a seus hotéis – entre eles, Pedro Malan, figurinha carimba desse tipo de reunião. Enquanto a massa, convocada pela internet, não se sabia surgindo de onde, ocupava praças, ruas, hotéis, salas de reunião, estações de metrô, protagonizando a primeira grande manifestação global contra o pensamento único e o Consenso de Washington.

Não era um raio em céu azul, para quem havia constatado, por debaixo da aparente pax neoliberal, os problemas que a globalização ia produzindo. É certo que os governos que mais a personificaram se reelegiam – FHC, Fujijmori, Menem -, depois do sucesso de Reagan e da Thatcher, sucedidos por Blair e Clinton. Mas ao mesmo tempo se esgotavam. As crises financeiras – típicas do neoliberalismo – se estendiam pela América Latina, pelo sudeste asiático, pela Rússia.

Hugo Chavez tinha sido eleito um ano antes. A economia brasileira enfrentava uma nova crise, o que levou o governo FHC a elevar a taxa de juros a 48% e a jogar o país numa prolongada recessão. Sinais claros de que a economia argentina estava à beira de uma explosão da bomba de tempo instalada por Menem, com a paridade artificial entre o dólar e o peso. O México se recuperava com dificuldades da crise de 1994.

Desde que os zapatistas tinham lançado seu grito contra a globalização neoliberal, em 1994, as mobilizações populares foram se sucedendo, entre elas as extraordinárias marchas dos trabalhadores sem terra no Brasil, as lutas dos movimentos indígenas do Peru, da Bolívia, do Equador, iam se espalhando, anunciando um novo ciclo de mobilizações, como resistência popular ao neoliberalismo.

Seattle veio assim trazer à superfície os descontentamentos acumulados pelos efeitos deletérios das políticas neoliberais, com os imensos retrocessos sociais que representavam. Ignacio Ramonet havia publicado seu famoso editorial no Le Monde Diplomatique da França, conclamando à luta contra o pensamento único. ATTAC surgia como um novo tipo de movimento, de luta pela taxação do capital financeiro para promover políticas para a cidadania, com o lema “O essencial não tem preço”.

Iniciou-se, com Seattle, um novo ciclo de mobilizações populares que, enlaçando-se com o surgimento do Fórum Social Mundial, estendeu as mobilizações contra a OMC pela Europa, pela Ásia, pela América Latina, até desembocar nas maiores manifestações já conhecidas, contra a guerra do Iraque, em 2003.

Deste então, a luta pela superação do neoliberalismo ganhou novas formas, mais avançadas, passando do protesto e da resistência, à derrota do governos neoliberais e ao inicio do ciclo atual – latinoamericano – de construção de governos pós-neoliberais. Para sua vitória contribuíram decisivamente as lutas de Seattle e aquelas que no continente brecaram os processos de privatização, como as dos movimentos indígenas e cidadãos na Bolívia e no Equador. Podemos dizer que o novo cenário latinoamericano é herdeiro das lutas de resistência da década de 1990 e, em particular, das espetaculares manifestações de Seattle, que marcaram o fim da lua-de-mel neoliberal e o começo da construção do “outro mundo possível”, do pós neoliberalismo latinoamericano.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

É longo, mas vale a pena ler: Caetano versus Lula


Topamos com um texto muito interessante sobre o ataque de Caetano Veloso contra Lula, semana passada. Escrito por Marta Peres, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, retrata bem o preconceito de classe sofrido por Lula. É um pouco longo, mas vale a pena ler. Confira:


Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso,
por Marta Peres

Grande artista, não faz falta a Caetano Veloso um diploma de nível superior. Seus recentes comentários injuriosos a respeito do presidente com a maior aprovação da História do Brasil são indiscutivelmente coerentes - com sua visão de mundo, com a visão da classe a que pertence, assim como dos meios de comunicação que as constroem incansavelmente, bloqueando qualquer ensaio de questionamento ao seu insistente pensamento único.

Ao se referir a Lula como ‘analfabeto’, o termo está sendo utilizado de forma equivocada, pois ‘analfabetismo’ significa ‘não saber ler nem escrever’. Imagino que ele esteja se remetendo, de maneira exagerada, ao fato de Lula não ter diploma de graduação, coisa que o compositor tampouco possui. Esse tipo de exigência não é nem mesmo cogitada ante outros artistas geniais como Milton, Chico, Cora Coralina... Gilberto Gil, ex-ministro do governo Lula, graduou-se, mas não em música... ‘Ah, mas eles são artistas...’. E não seria a Política uma arte? Um pouco de Platão e Aristóteles não faz mal a ninguém...

Quanto à suposta ‘cafonice’ de nosso presidente, situado na revista americana Newsweek em 18° lugar entre as pessoas mais poderosas do mundo, Pierre Bourdieu (1930-2002) nos traz uma contribuição preciosa. De origem campesina, como Lula, o sociólogo francês criou conceitos que desmoronam o velho chavão do ‘gosto não se discute’. Para Bourdieu, não só se deve discutir, como estudar, compreender, aquilo que se trata de, mais que uma questão de ‘classe’, uma questão de ‘classe social’. Além do enorme abismo do ponto de vista propriamente econômico, os ‘gostos diferenciadores’, referentes ao ‘estilo de vida’, consistem na maior marca de violência simbólica e num fundamental instrumento de legitimação da dominação das classes dominadas pelas dominantes. Não somente é desigual a distribuição de renda numa sociedade dividida em classes, mas também o acesso à educação formal e informal - o hábito de freqüentar museus, espetáculos de teatro, música, dança - à sofisticação do vocabulário, às regras de etiqueta, à constituição da apresentação pessoal, dos ‘modos’ e atitudes corporais.

Obviamente, alcançar maior poder aquisitivo não possibilita a aquisição desse ‘capital cultural’ adquirido ao longo de toda uma vida no convívio com ‘outras pessoas elegantes’, ou seja, com a ‘elite’. Uma expressão precisa para designá-las, utilizada corriqueiramente na Zona Sul do Rio, é ‘gente bonita’ - como sinônimo de portadores de determinadas marcas de classe evidentes pelo vestuário, linguajar, cabelos, corpos, modos, atitudes. Bourdieu demonstrou os aspectos, às vezes despercebidos, da ‘construção social’ do gosto, seja o gosto de Caetano, das elites, dos que gostariam de ser elite, pretendendo se distinguir da massa supostamente ‘inculta’. Em outras palavras, as classes às quais pertencemos determinam, em grande parte, nossos critérios aparentemente inatos do que vem a ser elegância, numa relação de constante imitação, pelos ‘cafonas’, dos considerados detentores dos critérios de julgamento estético.

Lula não segue a corrente dos imitadores: mantém-se fiel à cafonice que o identifica com suas origens populares. Ah, como isso incomoda...

Embora seja assistido desde tempos imemoriais, lembrando que Norbert Elias estudou como a nobreza francesa era imitada por suas congêneres do resto da Europa no Ancien Régime, aqui, no Brasil, o fenômeno da distinção alcança as fronteiras do ‘nojo’, das reações fisiológicas desagradáveis, diante de tudo que possa remeter a atributos das classes populares, tudo que venha do ‘povão’.

Não é à toa que o REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais que tem como objetivo "criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais" – seja alvo de críticas ferrenhas, apesar de vir ao encontro de demandas por mais vagas já presentes nos protestos estudantis da França e do Brasil há quarenta anos, os quais, aqui, jamais sequer haviam sido objeto de atenção pelos governos. A demanda por cidadania e não por privilégios restritos é assunto que dá nojo, dá ‘gastura’, como se fala no interior do Brasil. Mas isso são outros quinhentos...

Embora o acesso universal à educação deva ser uma meta, podemos questionar – como muitos eminentes acadêmicos questionam – que a universidade seja a única fonte de conhecimento legítimo, sob o risco de repetirmos, em outros moldes, o papel de detentora do saber exercido pela Igreja Católica Medieval. O que seria de nós sem a contribuição inestimável de tantos notáveis que por ela não passaram?

Pode-se argumentar, contudo, que o referido compositor não tem preconceito de classe ou contra a falta de diploma, pois pretende votar em Marina Silva que, como Caetano, não possui graduação, e que, como Lula, tem origem humilde. (O curioso é que, sendo a candidata à sucessão de Lula uma economista, dessa vez, a mesma é cobrada por não possuir mestrado e acusada de ter lutado contra a ditadura militar: sempre inventarão motivos contrários a políticas públicas que ferem ideais de distinção de classe). Ao contrário do que parece, os atributos de Marina caem como uma luva para nossa conservadora classe média leitora do Globo e da Veja e que jamais se assumirá preconceituosa: portar a nobre e indignada bandeira da causa verde faz disparar sua pontuação no quesito ‘elegância’. Os que se preocupam ardentemente com a possibilidade de vida de seus netos e bisnetos são tocados em seu íntimo pelas questões ligadas à salvação das florestas.

Só que, mais uma vez, como a História sempre ajuda a enxergar, o buraco – na camada de ozônio – é mais embaixo: a destruição do planeta é a consequência inexorável de um sistema perverso que nele vem se instalando há alguns séculos. Ao longo de suas notáveis transformações, atingiu um ponto em que passou a se dar conta de seu próprio potencial de destruição e de identificar na preocupação com a natureza uma boa – e quem sabe, lucrativa - causa.

Do ponto de vista das chamadas ‘Gerações’ de Direitos Humanos, ao longo dos desdobramentos do capitalismo, a causa ecológica nasceu como a terceira filha. Enquanto a primeira, a segunda e a terceira gerações são identificadas com os ideais da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - a quarta, mais recente, relaciona-se a questões da Bioética e aos movimentos de segmentos minoritários ou discriminados da sociedade. A liberdade refere-se aos direitos civis e políticos, chamados de ‘direitos negativos’, pois limitam o poder exorbitante do Estado, que deve deixar o indivíduo viver e atuar politicamente. A igualdade consiste na luta pelos direitos sociais, culturais, econômicos, e demandam uma atuação ‘positiva’ do Estado no sentido de realizar ações que proporcionem condições de acesso de todos os indivíduos à educação, saúde, moradia, assistência social, dignidade no trabalho. Finalmente, a fraternidade esta ligada à ecologia, à preocupação com o destino da humanidade, irmanada por sua condição de habitante do planeta Terra.

Como se situaria o Brasil nessa História? Não vivemos mais no tempo de Marx, das jornadas de trabalho de 18 horas que não poupavam mulheres e crianças caindo mortas de fome ao redor das grandes máquinas sujas das fábricas. Hoje, longos tentáculos buscam mão de obra barata como a planta se dirige à luz do sol e os dejetos – da poluição e os seres humanos excluídos da participação em suas benesses - são escondidos do campo de visão dos que têm ‘bom gosto’. Depois de destruir suas próprias florestas, os países ricos se preocupam e ditam regras da etiqueta politicamente correta aos pobres, abraçando a ‘causa ecológica’ com a mesma eloqüência que ontem defenderam que a ‘mão invisível do mercado’ traria a felicidade geral. Hoje, uma mão visível segura imponente a bandeira do orgulho verde. Porém, o corpo do qual faz parte constitui-se de fome, miséria, doença, condições abaixo de qualquer noção de dignidade da pessoa humana. A bandeira parece ser de um médico, mas o sujeito que a segura é um ‘elegante’ monstro. Chega a ser apelativo falar em salvar o planeta tirando de contexto uma causa que ninguém ousará contestar. Mas que tal pesquisar casos concretos de vínculos incontestáveis entre partidos verdes de diferentes países com os setores mais conservadores das respectivas sociedades? Visualizando a imagem do monstro, de braços dados com uma chiquérrima Brigitte Bardot salvando animais, faz todo sentido. A Bela e a Fera...

De modo algum defendo qualquer teleologia e que tenhamos que passar por fases que os outros já passaram. Nem que os sete anos de Governo Lula tenham se proposto a enfrentar bravamente, contra tudo e contra todos, o capitalismo que domina quase toda a superfície do planeta. Ninguém falou em Revolução, aliás, não era esse o combinado. Apenas assisto a um esforço hercúleo de instaurar políticas que ferem o coração desses mecanismos de violência, real e simbólica, que o julgamento do que é ou não cafona só vem a perpetuar, no sentido de minimizar o enorme fosso que separa os que têm e os que não têm acesso a conquistas históricas impreteríveis do Ocidente, independentemente de obediência a qualquer cronologia, identificadas com os direitos humanos: combate à fome à miséria, acesso universal à educação, à energia elétrica, diminuição da desigualdade ímpar que nos assola. Fraternidade, também quero, mas junto com a Liberdade, e principalmente, o que mais nos falta, Igualdade! Não igualdade no sentido anatômico, igualdade de condições, junto com a quarta geração.
Não indignar-se com a miséria, agarrar-se ferrenhamente a seus privilégios, assim como espernear diante de sinais de mudança, faz parte do aprendizado de cegueira, inércia e arrogância por que passam nossas elites com seu gosto sofisticado. Mas ao contrário de um regime de concordância geral, o ideal de democracia é caracterizado justamente pela coexistência de opiniões diversas a respeito das políticas do governo. À insatisfação proveniente de certo campo ideológico correspondem, certamente, avanços jamais assistidos na História do Brasil. Com vínculos ideológicos resumidos na figura de ACM, nutridora de uma ordem social desigual desde 1500, existe uma indiscutivelmente sincera elite baiana à qual, desagradar, é sinal de que Lula está no caminho certo!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Debates entre candidatos: a necessidade de construir sínteses


Dois dos quatro debates previstos à presidência do PT em Porto Alegre já foram realizados. Um na Zona Leste e outro na Zona Sul da cidade. De bom conteúdo político, os debates pecam em um aspecto: cada candidato fala sobre temas diferentes, com conteúdos fixos e previamente definidos. Isso gera um problema razoável: ao invés de produzir sínteses que instrumentalizem a próxima direção municipal, produzem demarcações que nada contribuem. Com falas tão fragmentadas, o que fazer?

Em nossa opinião, o PT tem três grandes tarefas que valem a pena ser encaradas. Em torno destes eixos, o restante da luta se organiza:

1 – Debater os impactos da crise do neoliberalismo, que entre tantos outros efeitos, fez passar de 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo diariamente e, que só este ano, produziu mais de 50 milhões de desempregados em escala global. Se o PT é um partido que se reivindica transformador, que quer “outro mundo possível”, deve agir sobre esta realidade, debater internamente e dialogar com a sociedade um projeto alternativo de modelo econômico e social.

2 – Diante deste cenário global, pensar as candidaturas de Dilma e Tarso numa perspectiva programática. Muito se fala nas costuras de alianças eleitorais e pouco se trata de conteúdo. O que é necessário para o bom debate político e o aprofundamento do nosso projeto nacional é um programa popular, em direção à esquerda e não ao centro. O PT, enquanto partido de classe, deve disputar os rumos de seus governos, especialmente no país.

3 – Em Porto Alegre, devemos percorrer muito a cidade. O próximo presidente do PT deve ter vontade, disposição e disponibilidade de tempo para aglutinar a militância, reconstituir espaços de debate interno e capacidade para organizar o partido para a intervenção social. Ao mesmo tempo, combater o projeto de Fogaça e Yeda, que têm em comum a mesma natureza e a conveniência do protecionismo midiático. O começo é a denuncia do descaso vivido em áreas importantes, como saúde, assistência social, educação e infraestrutura urbana, entre outras áreas. Como diz Rosa Luxemburgo, “quem não se movimenta, não sabe as correntes que o prendem”. E esse é o papel do PT no seu diálogo com a população.

Temos feito esta reflexão no debate e esperamos que as demais candidaturas e chapas centrem o debate naquilo que é mais importante: a construção de sínteses.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Militantes enfrentam chuva forte e reforçam apoio a Rodrigo Oliveira



A chuva forte que inundou várias ruas da capital não desmotivou os militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) na manhã do último sábado, 07/11, em apoiar a candidatura de Rodrigo Oliveira à presidência do PT de Porto Alegre. Eles enfrentaram a tempestade e lotaram a Associação Comunitária da Vila São Judas Tadeu, localizada no Bairro Partenon, para almoçar com o candidato, o vereador Aldacir Oliboni (PT) e a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). O ato também era de apoio a Hermes Vidal (Tuca) para a presidência da Zonal 113 e Nélson Cúnico para a presidência da Zonal 159.

A associação foi escolhida como sede do ato por simbolizar aquilo que os candidatos e os mandatos parlamentares defendem para o PT. Um partido que funcione o ano todo, que esteja enraizado na vida das comunidades e nas lutas dos movimentos sociais.

Primeiro a falar, o vice-presidente do PT/RS, Cícero Balestro, disse apoiar Rodrigo Oliveira e a chapa Movimento por entender que ela está comprometida em dar continuidade ao projeto do PT em nível nacional e retomar o desenvolvimento com inclusão social aqui no Rio Grande do Sul. “Precisamos eleger os nossos candidatos da Chapa Movimento para retomar a inserção dos movimentos sociais na sociedade gaúcha”, afirmou.

Candidato a zonal 159, Nélson Cúnico afirmou que representará todos os filiados da região e dará continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido na região do Partenon, uma das únicas onde o PT saiu vencedor em 2008. “Se dependesse desta região, Maria do Rosário seria hoje a prefeita de Porto Alegre”.

Tuca, candidato à presidência da zonal 113, disse que o PT “tem que respeitar e saber ouvir cada vez mais a sua base comunitária”. Para ele, é preciso fazer valer a pena ser militante e fazer uma grande reflexão sobre a atuação do partido no movimento comunitário, fortalecendo sua atuação e construindo bons quadros que possam transformar-se em lideranças comunitárias da região.

O vereador Aldacir Oliboni expressou sua vontade de recuperar a motivação dos petistas. “Nós queremos o PT que tínhamos desde o início da Frente Popular em Porto Alegre. Quero chamar todos os nossos companheiros para a responsabilidade, para dialogar com a sociedade e para oxigenar o sentimento petista”.

Já a deputada federal Maria do Rosário afirmou a necessidade de termos um PT forte, que ajude a comunidade. “O PT não pode apenas viver de passado. O PT tem que ter um presente de lutas e um futuro para a sociedade, mas com capacidade inovadora”.

Último a falar, Rodrigo Oliveira, candidato a presidente do PT de Porto Alegre, manifestou a sua vontade de ver o partido funcionando o ano todo. “Eu tenho vontade de dar uma sacudida no PT aqui em Porto Alegre e renovar a militância, deixando a renovação do partido vir à tona. Estarei presente na vida do partido em todas as regiões, visitando cada zonal, cada setorial e núcleo partidário e contribuindo para que eles possam estar organizados e presentes nas lutas da nossa cidade”, finalizou.

Já na segunda-feira, cerca de 70 militantes petistas trabalhadores dos Correios manifestaram seu apoio na Sede Municipal do PT. Quinta-feira, será a vez de militantes das zonais 112 e 158.

Por: Daiani Cerezer (MTb: 12.106)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O “Plano” da Yeda


Semana passada Yeda Crusius anunciou com estardalhaço a proposta de um novo Plano de Carreira. Ao contrário do noticiado pelos órgãos de imprensa, o Plano não é positivo para a categoria. Acreditamos que é pertinente fornecer uma visão do outro lado da moeda (aliás, o nosso lado...) e reproduzimos abaixo a nota oficial do Cpers Sindicato sobre o assunto. Acompanhe:

NOTA DA DIREÇÃO DO CPERS/SINDICATO

No dia 5 de novembro a governadora Yeda Crusius anunciou, pela imprensa, que irá encaminhar projetos à Assembléia Legislativa com propostas de modificações nas carreiras e na forma de remuneração dos servidores públicos.

Os projetos não foram apresentados ao CPERS/Sindicato, num claro desrespeito à nossa entidade. Mas as informações divulgadas nos meios de comunicação através de manifestações da governadora e de secretários de estado indicam que:

1 - O governo pretende instituir o valor de R$ 1.500,00 como remuneração mínima e não como básico do nosso Plano de Carreira;

2 - Yeda também deseja estabelecer a remuneração por mérito, através de mecanismos de avaliação e cumprimento de metas de gestão, como se a escola fosse uma empresa;

3 - O governo condicionará futuros reajustes ao superávit na arrecadação do estado;

4 - A proposta também deixa clara a intenção do governo de simplesmente excluir os aposentados de qualquer possibilidade de reajustar seus vencimentos.

Ao contrário do anunciado, os projetos do governo não concedem qualquer reajuste salarial e têm como única finalidade mascarar o desmonte das carreiras da categoria.

O governo mais uma vez tenta enganar os trabalhadores em educação e a sociedade. Pretende acabar com as carreiras dos educadores criando para isso um abono salarial, pois não reajusta o vencimento básico das classes e dos níveis.

Ao propor a remuneração através da meritocracia, ignora a falta de estrutura e de investimentos na educação, o sucateamento das escolas e as enormes desigualdades, sociais e econômicas existentes entre as diferentes regiões e mesmo entre municípios. Com este mecanismo, apenas alguns poderiam receber o dito “14º salário”, sem contar que os aposentados estariam fora.

O CPERS/Sindicato repudia qualquer iniciativa que invista contra os planos de carreira e também que exclua os aposentados, bem como propostas que discriminem algum trabalhador em educação.

Portanto, o CPERS/Sindicato denuncia a propaganda enganosa do governo ao anunciar que esta criando uma nova e vantajosa matriz salarial para o magistério e também o método golpista de tratar a categoria, pois anuncia medidas que trarão duras conse-qüências para todos, poucos dias antes da audiência marcada com a direção da entidade.

Na realidade, Yeda aumenta as distorções salariais, pois enquanto ataca os trabalhadores em educação, arrochando os salários, concede substanciais aumentos para os que estão no topo da pirâmide, como delegados, coronéis, Tribunal de Contas, procuradores, secretários e até mesmo o seu próprio salário.

Por estas razões, convocamos todos para, uma vez mais, se mobilizar na defesa dos nossos direitos, exigindo a implantação imediata do Piso Salarial Nacional como básico do nosso Plano de Carreira, rejeitando a proposta do governo e exigindo reajustes que recomponham as perdas salariais para todos os trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul, pois os professores e os funcionários de escola vivem o mais brutal arrocho dos últimos anos.