quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Debates entre candidatos: a necessidade de construir sínteses


Dois dos quatro debates previstos à presidência do PT em Porto Alegre já foram realizados. Um na Zona Leste e outro na Zona Sul da cidade. De bom conteúdo político, os debates pecam em um aspecto: cada candidato fala sobre temas diferentes, com conteúdos fixos e previamente definidos. Isso gera um problema razoável: ao invés de produzir sínteses que instrumentalizem a próxima direção municipal, produzem demarcações que nada contribuem. Com falas tão fragmentadas, o que fazer?

Em nossa opinião, o PT tem três grandes tarefas que valem a pena ser encaradas. Em torno destes eixos, o restante da luta se organiza:

1 – Debater os impactos da crise do neoliberalismo, que entre tantos outros efeitos, fez passar de 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo diariamente e, que só este ano, produziu mais de 50 milhões de desempregados em escala global. Se o PT é um partido que se reivindica transformador, que quer “outro mundo possível”, deve agir sobre esta realidade, debater internamente e dialogar com a sociedade um projeto alternativo de modelo econômico e social.

2 – Diante deste cenário global, pensar as candidaturas de Dilma e Tarso numa perspectiva programática. Muito se fala nas costuras de alianças eleitorais e pouco se trata de conteúdo. O que é necessário para o bom debate político e o aprofundamento do nosso projeto nacional é um programa popular, em direção à esquerda e não ao centro. O PT, enquanto partido de classe, deve disputar os rumos de seus governos, especialmente no país.

3 – Em Porto Alegre, devemos percorrer muito a cidade. O próximo presidente do PT deve ter vontade, disposição e disponibilidade de tempo para aglutinar a militância, reconstituir espaços de debate interno e capacidade para organizar o partido para a intervenção social. Ao mesmo tempo, combater o projeto de Fogaça e Yeda, que têm em comum a mesma natureza e a conveniência do protecionismo midiático. O começo é a denuncia do descaso vivido em áreas importantes, como saúde, assistência social, educação e infraestrutura urbana, entre outras áreas. Como diz Rosa Luxemburgo, “quem não se movimenta, não sabe as correntes que o prendem”. E esse é o papel do PT no seu diálogo com a população.

Temos feito esta reflexão no debate e esperamos que as demais candidaturas e chapas centrem o debate naquilo que é mais importante: a construção de sínteses.

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